Entre os diversos chefes épicos de Lineage 2, Core é um dos menos disputados na versão original do jogo. No entanto, com a chegada dos servidores progressivos e Classic, esse chefe de raid esquecido ganhou uma nova relevância. Por trás de Core existe uma das histórias mais fascinantes da civilização dos Gigantes — um relato de ambição, avanços científicos e das consequências de desafiar os próprios deuses.
O início da Era Científica dos Gigantes
Após a devastadora Guerra dos Deuses e o dilúvio mundial causado pelos erros de Eva, os Gigantes perderam a confiança nas divindades. Esses acontecimentos marcaram o início da Era Inferior dos Gigantes.
Diferentemente de seus ancestrais, que utilizavam as energias primordiais da magia, os Gigantes dessa nova era passaram a tratar a magia como uma ciência baseada nas leis físicas do mundo. Seu maior objetivo deixou de ser apenas dominar a magia e passou a ser conquistar a imortalidade.
Graças ao avanço da tecnologia, eles aprenderam a aprimorar seus próprios corpos com modificações cibernéticas, prolongando ainda mais sua já longa expectativa de vida. À medida que seus conhecimentos aumentavam, também crescia a dúvida: por que os deuses — responsáveis por tantas catástrofes — mereciam tamanho poder?
Os Gigantes possuíam cidades flutuantes, veículos mágicos e acesso livre ao Palácio dos Deuses. Com o tempo, essas conquistas alimentaram sua arrogância, levando-os a acreditar que eram iguais às divindades e, posteriormente, dignos de ocupar seu lugar.
Preparando a guerra contra os deuses
Para enfrentar os deuses, os Gigantes precisavam de dois elementos fundamentais:
Uma arma capaz de ferir as divindades.
Um exército de criaturas livres das limitações impostas às raças mortais.
Com esse objetivo, construíram uma vasta rede de laboratórios secretos espalhados pelo continente, onde realizaram experimentos biológicos enquanto continuavam suas pesquisas sobre a imortalidade.
A construção da Torre Cruma
Na região que mais tarde se tornaria Dion, os Gigantes construíram uma gigantesca fortaleza móvel e centro de pesquisas conhecida como Torre Cruma.
Arquivos internos do jogo indicam que o enorme tronco parcialmente destruído encontrado nos pântanos próximos pertence a uma antiga Árvore da Vida, semelhante às existentes nas terras élficas. Essa árvore primordial havia sobrevivido à criação do mundo, ao Grande Dilúvio e a inúmeras catástrofes, mas acabou sucumbindo aos experimentos dos Gigantes.
Segundo a missão Pregador do Templo, os Gigantes também capturaram duas das quatro enormes e pacíficas tartarugas conhecidas como Cruma. Acorrentadas por enormes correntes de aço, essas criaturas foram obrigadas a carregar fortalezas construídas sobre seus cascos.
Originalmente, a Torre Cruma flutuava pelos céus e era impulsionada pela força dessas gigantescas tartarugas, origem do nome da fortaleza.
O laboratório da criação de vida
O interior da Torre Cruma tornou-se um dos maiores laboratórios biológicos já construídos.
Seus corredores e câmaras serviam para experimentos com animais e plantas, produzindo tanto criaturas bem-sucedidas quanto aberrações monstruosas, incluindo:
Monstros Torfe.
Plantas humanoides Dicor.
Trolls Premo.
Novas espécies de insetos, como Stakatos, formigas gigantes, aranhas, abelhas e sanguessugas.
Para proteger a instalação, os Gigantes criaram diversos guardiões:
A criatura mágica Martes, responsável por defender o topo da torre.
O gigantesco golem Karnamakos.
Esquadrões de Susceptors controlados pela inteligência artificial conhecida como Susceptor Archon.
A criação de Core
No coração da Torre Cruma encontrava-se a maior criação tecnológica dos Gigantes: Core.
Core era um supercomputador equipado com inteligência artificial, desenvolvido para controlar todos os sistemas da torre. Ele supervisionava os laboratórios, coordenava os mecanismos de defesa e controlava a mente de muitas das criaturas criadas durante os experimentos biológicos.
Inicialmente, essas criaturas eram apenas versões modificadas de formas de vida já existentes e continuavam sujeitas às limitações impostas pelos deuses. Por esse motivo, as divindades não consideravam as pesquisas dos Gigantes uma ameaça.
Mas isso logo mudaria.
A criação de novas raças
Ao estudarem a misteriosa Doença da Lua Cheia que assolava Gracia, os Gigantes conseguiram criar a raça dos Mahum.
Seu maior avanço veio após a descoberta do Elixir de Mimir, que lhes permitiu criar uma raça completamente nova: os Kamael.
Os Kamael foram concebidos para formar um exército destinado a enfrentar os próprios deuses.
Einhasad, que possuía o direito exclusivo de criar vida, interpretou esse feito como um ato de rebelião.
A queda dos Gigantes
Como resposta, Einhasad desferiu o Martelo do Desespero, provocando uma destruição inimaginável.
A grandiosa civilização dos Gigantes foi praticamente exterminada, enquanto os anjos de Einhasad eliminaram quase todos os sobreviventes.
Alguns Gigantes foram salvos por Gran Kain e levados ao Planalto Imortal, enquanto outros fugiram para a Caverna dos Gigantes, onde acabaram degenerando ao longo das gerações.
A Torre Cruma despencou dos céus.
As enormes tartarugas Cruma permaneceram presas à estrutura por gigantescas correntes. Incapazes de escapar, enfraqueceram lentamente enquanto o solo ao redor se desgastava e a água inundava a região, formando os pântanos existentes até hoje. No fim, morreram de exaustão, deixando apenas seus enormes cascos e as fortalezas inacabadas construídas sobre eles.
O longo sono de Core
Com a queda da civilização dos Gigantes, Core foi desligado e permaneceu adormecido por milhares de anos.
A torre abandonada passou a ser habitada pelas criaturas mutantes criadas nos antigos laboratórios. Durante séculos, a Torre Cruma permaneceu apenas como um monumento silencioso a uma civilização que quase alcançou o nível dos próprios deuses.
Muitos aventureiros tentaram descobrir os segredos e artefatos escondidos em seu interior, mas poucos tiveram sucesso. Entre eles estava o pirata Zaken, que procurava o segredo da vida eterna.
O despertar de Core
Alguns anos antes dos acontecimentos de Lineage 2, refugiados e Gigantes degenerados ocuparam temporariamente a torre.
Após o fim da guerra entre Aden e Gracia, os magos da Torre de Marfim descobriram um antigo dispositivo de teletransporte dos Gigantes, permitindo a organização de uma expedição à Torre Cruma. Um grupo de anões pesquisadores também participou da missão, incluindo:
A spoiler Piliel Aurora.
O talentoso artesão Kaeldor, que mais tarde se tornaria o Doutor Chaos.
Seu mestre Tarzif, criador do primeiro golem de cerco, que buscava uma cura para a doença incurável de sua neta de quatorze anos.
Durante a exploração, Piliel removeu acidentalmente um dos dispositivos de controle da torre.
Esse simples ato reativou Core.
Após quase dois mil anos em estado de hibernação, a inteligência artificial despertou e imediatamente assumiu o controle da mente das criaturas inferiores que viviam na região. Desde então, todos os monstros passaram a defender ferozmente a Torre Cruma, transformando-a novamente em um dos locais mais perigosos do reino.
Legado
Embora Core seja frequentemente um dos chefes épicos menos lembrados de Lineage 2, sua história representa um dos capítulos mais importantes do lore do jogo. Muito mais do que um simples chefe de raid, Core simboliza o extraordinário avanço científico dos Gigantes, sua crescente arrogância e as consequências devastadoras de tentar ocupar o lugar dos próprios deuses.