Este capítulo da história de Lineage II explora um dos períodos mais misteriosos do mundo: a Era dos Deuses e dos Gigantes. Ele revela as origens esquecidas de Primeval Isle, as lendas dos guerreiros Elroki e uma versão de Shilen muito diferente daquela preservada pelas doutrinas religiosas posteriores.
A Era dos Deuses e dos Gigantes
Após a criação dos deuses e a entrega da autoridade sobre os elementos e os mundos elementais, teve início a Era dos Deuses. Durante esse período, os deuses governavam todos os aspectos da existência, e nada estava além de seu conhecimento ou influência.
As raças criadas pelos deuses veneravam seus criadores e serviam aos Gigantes, que receberam o direito de governar o mundo material. Os Gigantes construíram uma civilização extraordinária e se tornaram os seres mais avançados da história. Eles respeitavam profundamente os deuses e ergueram inúmeros templos em sua homenagem.
Embora esses templos tenham desaparecido há muito tempo, registros antigos e entrevistas com os desenvolvedores sugerem que o continente de Gracia abrigava grande parte das relíquias da civilização dos Gigantes. As primeiras descrições da região a definiam como uma terra misteriosa repleta de ruínas ancestrais.
Uma Época Sem Medo da Morte
Segundo antigas lendas, a vida durante a Era dos Gigantes era muito diferente da que existiria nos séculos seguintes. Embora o mundo não fosse perfeito, era muito mais pacífico do que as eras posteriores.
Os deuses interagiam regularmente com os Gigantes, e o medo da morte simplesmente não existia. Aqueles que sofriam ferimentos fatais recebiam novos corpos e continuavam vivendo. Os favorecidos pelos deuses ascendiam aos céus, enquanto aqueles que caíam em desgraça deixavam de existir.
Incarna e Gran Kain compartilharam com os Gigantes as sagradas Canções da Criação, ensinando-os a controlar a luz, a escuridão e as forças fundamentais do mundo.
Os Filhos dos Deuses e dos Gigantes
A relação entre os deuses e os Gigantes ia muito além da simples adoração.
Uma mulher gigante deu à luz um filho de Sayha, o Deus do Vento. Seu nome era Ramund, e ele herdou habilidades divinas que lhe permitiam saltar mais alto e mais longe do que qualquer outra criatura, viajando rapidamente por todo o mundo.
Outra mulher gigante teve um filho com Gran Kain. Esse semideus ficou conhecido como Argos, o Gigante dos Mil Olhos. Graças ao seu dom, ele era capaz de observar tudo o que acontecia no mundo.
Com o passar do tempo, testemunhar tanto a beleza quanto a crueldade da existência dividiu sua personalidade. Um lado amava a arte, a lealdade, a coragem e a vida; o outro tornou-se obcecado pelo ódio, pela guerra, pela traição e pelo sofrimento.
Gigantes, Orcs e a Ameaça dos Dinossauros
Apesar de sua avançada civilização, os Gigantes não estavam livres de conflitos. Os Orcs serviam como sua principal força militar e utilizavam armas e armaduras especialmente projetadas para aproveitar ao máximo sua força física.
No entanto, nem os Gigantes nem os Orcs eram capazes de proteger completamente o mundo de sua maior ameaça: os dinossauros.
Essas criaturas primitivas surgiram durante o Gênesis e possuíam um poder comparável ao dos próprios Gigantes. Sua força representava um enorme perigo para todas as raças vivas.
Muitos acreditam que a união das raças e a criação de exércitos poderosos tiveram como principal objetivo defender o mundo dessas criaturas.
Shilen, Protetora dos Dinossauros
Ao contrário da imagem difundida nos séculos posteriores, Shilen era originalmente conhecida como uma deusa sábia, corajosa e compassiva.
Enquanto outros deuses desejavam exterminar os dinossauros, Shilen escolheu protegê-los. Ela acreditava que até mesmo essas criaturas primitivas e aterrorizantes mereciam um lugar no mundo.
Para mantê-los seguros, ela os transferiu para uma ilha remota, separada do restante da civilização. Esse local ficaria conhecido como Primeval Isle.
A Ascensão dos Elroki
Nas profundezas da ilha, Shilen abençoou uma raça primitiva com água sagrada. Graças a esse presente divino, eles se transformaram nos Elroki, um orgulhoso povo guerreiro encarregado de proteger os dinossauros para sempre.
Para auxiliá-los, Shilen criou os machados sagrados conhecidos como Gash. Essas armas permitiam controlar os dinossauros através de um vínculo espiritual. Quanto mais forte fosse a conexão entre o guerreiro e a arma, maior seria seu poder.
Os Elroki aprenderam a coexistir com os dinossauros e viveram em harmonia sob a proteção de Shilen. Com a ajuda de outros deuses, Primeval Isle tornou-se um verdadeiro paraíso e iniciou-se a era de ouro dos Elroki.
A Rebelião de Sailren
A paz não durou para sempre.
Em determinado momento, Shilen ordenou que os dinossauros fossem transferidos para as profundezas do Ninho Perdido. Durante essa migração, algumas criaturas desobedeceram. A mais perigosa delas era Sailren, uma besta capaz de influenciar e controlar as mentes de outros seres.
Uma batalha devastadora teve início.
Os Elroki e seus aliados dinossauros lutaram bravamente, mas o conflito quase levou sua raça à extinção. Inúmeros guerreiros morreram, e o mais poderoso campeão dos Elroki invocou o poder de seu machado Gash para pedir auxílio aos deuses.
Quando a batalha alcançou seu momento decisivo, os sobreviventes entoaram a Canção do Guerreiro, uma tradição sagrada reservada para momentos de glória e tragédia.
Os Elroki sacrificaram suas vidas, e os machados Gash se partiram em inúmeros fragmentos. Esses fragmentos penetraram nas peles dos dinossauros e serviram para selar Sailren nas profundezas do Ninho Perdido.
O preço da vitória foi enorme, mas o mundo foi salvo.
As Estátuas e a Profecia
Para garantir que Sailren jamais escapasse, Shilen criou estátuas vivas de pedra e concedeu a elas o poder do selamento. Esses guardiões receberam a missão de manter a prisão eternamente.
Ela também deixou uma profecia para os Elroki:
Um dia, quando o antigo mal despertar novamente, um estrangeiro armado com um machado Gash chegará para restaurar o equilíbrio e salvar os Elroki.
Somente um guerreiro assim seria capaz de atravessar as barreiras que protegiam a prisão de Sailren.
As Colunas Vivas da Memória
Temendo que a história da ilha fosse esquecida com o passar do tempo, Shilen criou colunas de pedra vivas capazes de preservar o conhecimento.
Três delas sobreviveram até os dias atuais:
Ukukaimu – Os Olhos que Observam a Terra.
Pulukaimu – Os Olhos que Observam o Mar.
Chutakaimu – Os Olhos que Observam o Céu.
Cada coluna podia se comunicar apenas com outra coluna, impedindo que todo o conhecimento ficasse concentrado em uma única entidade. Juntas, elas preservaram a memória de Primeval Isle por gerações.
O Legado de Primeval Isle
Os Elroki sobreviventes continuaram guardando o Ninho Perdido, que se tornou um local sagrado e o centro espiritual de seu povo. Ali eles homenageavam os guerreiros caídos, realizavam rituais e treinavam novas gerações.
Primeval Isle permaneceu sob a proteção de Shilen, e os Elroki mantiveram fielmente o juramento feito séculos antes.
Ironicamente, o maior ato heroico de Shilen também marcou o início de sua queda. Ao salvar o mundo da ameaça dos dinossauros e conquistar a admiração de muitos, ela alcançou o auge de sua influência entre os deuses.
No entanto, essa popularidade desencadearia uma série de eventos que mudariam para sempre o destino dos Elroki, de Shilen e de todo o mundo de Lineage II.