Após a Queda dos Gigantes
A destruição dos Gigantes marcou um dos momentos mais importantes da história do mundo. Após desafiarem os deuses, eles foram aniquilados pelos anjos de Einhasad, enquanto suas cidades grandiosas e sua avançada civilização foram reduzidas a ruínas. Os poucos sobreviventes foram selados no Planalto Imortal por Gran Kain, enquanto aqueles que ficaram para trás acabaram caindo sob o controle da inteligência artificial que haviam criado.
As consequências foram devastadoras. Inúmeras espécies de plantas e animais desapareceram, cidades majestosas foram apagadas da existência e as raças sobreviventes passaram a lutar pela própria sobrevivência. Esse evento ficou conhecido como a Grande Calamidade.
Profundamente abalada pela tragédia, a deusa Eva chorou pela destruição do mundo. Segundo a lenda, suas lágrimas formaram o lago que mais tarde seria conhecido como Rainbow Lake.
O Nascimento do Reino Élfico
Com o desaparecimento dos Gigantes, as raças dos Elfos, Orcs, Ertheia, Anões e Humanos conquistaram sua liberdade. No entanto, também herdaram a responsabilidade de reconstruir a civilização sem a orientação dos Gigantes ou dos deuses.
Em 586 a.C., aproximadamente 2.075 anos antes dos eventos de Lineage II, os Elfos conseguiram unir as demais raças e estabelecer seu domínio sobre o continente. Sua nação, conhecida como Reino da Floresta, era governada pela Rainha Beora e por um Conselho dos Doze Anciãos escolhidos pela Árvore-Mãe.
Sob a liderança de Beora, o Reino Élfico alcançou uma era de prosperidade e grandeza. A cultura élfica floresceu através da arquitetura, da magia, do artesanato e da diplomacia. Os registros históricos descrevem Beora como uma governante generosa que frequentemente compartilhava relíquias élficas com outras raças.
Crenças e Cultura Élfica
A natureza ocupava um papel central na sociedade élfica. No entanto, as crenças religiosas dos Elfos não eram completamente unificadas.
Alguns permaneceram fiéis a Shilen, a deusa criadora original que mais tarde se tornou a Deusa da Morte. Outros passaram a venerar Eva como a nova protetora da água e da natureza. Muitas tradições também incluíam a reverência à Árvore da Vida.
Os Elfos Brancos seguiam um caminho mais espiritual e xamânico, adorando espíritos e preservando antigos locais sagrados dedicados aos Reis dos Espíritos.
A magia élfica desenvolveu-se por meio de antigos pactos com os espíritos da natureza. Sua ligação com os unicórnios era especialmente importante. Embora muitos tenham perecido durante a Grande Calamidade, os sobreviventes continuaram respondendo aos chamados dos invocadores élficos graças aos laços criados em tempos antigos.
Mithril e a Arte dos Elfos
Os artesãos élficos tornaram-se famosos por sua maestria no Mithril, um metal sagrado mais leve e resistente que o ferro, além de possuir excelentes propriedades mágicas.
Por ser considerado puro, a maioria das armas, armaduras e acessórios élficos era produzida com Mithril. Outros metais eram vistos como inferiores ou impuros pelos padrões élficos.
O Crescente Orgulho dos Elfos
À medida que o poder dos Elfos aumentava, seu orgulho também crescia. Com o tempo, surgiram questionamentos sobre seu direito de governar todas as outras raças.
Diferentemente dos Gigantes, os Elfos também haviam sido criados pelos deuses. Essa percepção levou cada raça a desenvolver seus próprios mitos e lendas, destacando sua importância e destino único.
Os Anões e o Legado de Mafr
As tradições anãs ensinam que Mafr moldou o mundo utilizando os poderes da luz, da escuridão e da terra. Ela criou os Anões para ajudá-la a construir a civilização e lhes ensinou engenharia, arquitetura, escultura, matemática e os princípios da Geometria Absoluta.
Os Anões orgulham-se de seu talento artesanal e afirmam ter construído as estruturas e obras mais impressionantes do mundo. Algumas lendas até sugerem que foram eles que ensinaram os Elfos a trabalhar com Mithril e Adamantita.
Ao contrário de outras raças, os Anões demonstraram pouco interesse em conquistas militares, concentrando-se principalmente no comércio, na invenção e na prosperidade pessoal.
Os Ertheia e a Bênção de Sayha
Os Ertheia permaneceram amplamente independentes durante esse período e evitaram se envolver nos conflitos políticos do continente.
Eles veneravam Sayha, o Deus do Vento, acreditando que a verdadeira liberdade vinha da autodeterminação. Sua sociedade girava em torno de um templo sagrado onde os governantes eram escolhidos através de uma bênção divina. Cada novo governante herdava uma parcela do poder de Sayha, permitindo-lhe viver mais do que um Ertheia comum.
Diferentemente de muitas outras raças, os Ertheia não tinham ambições de domínio e mantinham relações pacíficas com seus vizinhos.
A Ascensão do Reino Orc
Inicialmente, os Orcs não possuíam a unidade necessária para desafiar a supremacia élfica. Embora fossem numerosos e poderosos, permaneciam divididos entre diversas tribos.
Tudo mudou quando a tribo Hestui conseguiu unir os principais clãs orcs em uma única aliança. Essa união deu origem ao Reino Orc, onde a liderança era determinada pelo consenso entre as sete tribos nobres.
O primeiro e único rei dos Orcs foi Zanak, da tribo Morek. Por meio de reformas militares, disciplina rigorosa e liderança estratégica, ele transformou os Orcs em uma força capaz de rivalizar com o Reino Élfico.
Sociedade Orc e Tradições Tribais
A sociedade orc era baseada em crenças compartilhadas, mais do que em laços de sangue. Cada tribo possuía um totem sagrado que representava seus valores e identidade.
Entre as tribos mais importantes estavam:
Hestui, simbolizada pelo Urso Grizzly e associada à sabedoria.
Atuba, representada por uma presa afiada e conhecida pela formação de guerreiros.
Neruga, simbolizada por um machado e uma flecha, representando determinação inabalável.
Urutu, representada por uma caveira e espadas cruzadas, símbolo de honra e justiça.
Dudamar, simbolizada por uma aranha gigante e famosa por sua estratégia e astúcia.
Gandi, representada pelo ciclo da vida e da morte, refletindo o espírito guerreiro.
Esses símbolos fortaleceram a identidade e a unidade da cultura orc.
Os Ensinamentos de Pa'agrio
A religião de Pa'agrio tornou-se o alicerce da civilização orc. Força, disciplina, resistência e aperfeiçoamento pessoal eram considerados valores sagrados.
Os guerreiros orcs treinavam incessantemente e seguiam tradições antigas destinadas a levar seus corpos e mentes ao limite. Combatentes de elite, como Raiders e Destroyers, conquistavam seu status ao sobreviver a provas extremamente perigosas.
A arte marcial conhecida como Kabart ocupava um papel central na cultura orc. Seus praticantes transformavam seus próprios corpos em armas por meio de anos de treinamento, confiando mais em sua força física do que em armaduras ou equipamentos.
Os maiores mestres de Kabart eram conhecidos como Kabatari, guerreiros lendários capazes de derrotar enormes criaturas usando apenas as próprias mãos.
Os Xamãs Orcs e a Linguagem das Chamas
A magia dos Orcs era muito diferente das tradições espirituais dos Elfos.
Enquanto os Elfos cooperavam com os espíritos, os xamãs orcs os dominavam através do poder do fogo e das bênçãos de Pa'agrio. Seu treinamento incluía aprender a misteriosa Linguagem das Chamas, memorizar os nomes de espíritos poderosos e dominar rituais ancestrais transmitidos de geração em geração.
Essa tradição espiritual única tornou-se uma das características mais marcantes da cultura orc.
O Surgimento de uma Nova Potência
Unidos sob a liderança do rei Zanak, fortalecidos por sua fé em Pa'agrio e guiados por gerações de disciplina e sacrifício, os Orcs estabeleceram seu próprio reino na região que mais tarde seria conhecida como Elmore.
Pela primeira vez desde a Grande Calamidade, uma nova potência surgiu capaz de desafiar a supremacia do Reino Élfico e alterar o destino de todo o continente.